quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

PROBLEMAS AMBIENTAIS NOS GRANDES CENTROS URBANOS

Por Ulisses Oliveira

A visão reducionista de que o homem domina a natureza, de que ela foi feita para servi-lo, está deixando de ser uma verdade. Embora os problemas ambientais urbanos sejam bastante antigos, somente nas últimas décadas começaram a fazer parte da agenda de discussão, tendo em vista a escala e a gravidade que tais problemas tomaram. A vulnerabilidade da humanidade face às respostas que a natureza manifesta devido aos impactos ambientais gerados pela exploração dos recursos naturais sem planejamento está imprimindo na pauta da humanidade a preocupação com as formas com que ela tem conduzido suas ações em relação ao meio ambiente.

O processo de construção do espaço urbano, da forma como tem se dado, gera uma série de impactos e consequências negativas. A natureza pode ser entendida como o espaço da sociedade, existe uma dialética entre a natureza e os processos sociais que a constituem. Isto é evidenciado pelo fato de, ao passo que o ser humano modifica a natureza, ela influencia a sua forma de ocupação. A prova disso são os problemas ambientais que o homem sofre no processo de ocupação do espaço.

Nessa perspectiva, na realidade brasileira, a concepção de cidade gera inúmeros problemas de ordem ambiental, social e econômica. O processo de construção das cidades brasileiras não tem levado em conta a dignidade da pessoa humana. Faltam políticas públicas que orientem a apropriação do espaço, deixando a cargo do fator econômico a moldagem do ambiente urbano e isso se desdobra em inúmeras injustiças sociais, impactando diretamente no meio ambiente, com severas respostas da natureza aos processos de degradação.

Nesse contexto, o meio ambiente urbano tem como característica os processos de adensamento e crescimento físico territorial. A sua configuração não se restringe ao aspecto físico, mas a uma reunião de fatores culturais, políticos e espaciais, todos inter-relacionados, já que a sociedade modifica o meio ambiente e este reflete as relações sociais nele desenvolvidas. Entretanto, a dimensão espacial é a que mais se evidencia, visto que através dela é possível analisar os fatores socioeconômicos e ambientais de uma sociedade. É a partir daí que os problemas oriundos das modificações ambientais ocorrem.

As modificações no meio ambiente se dão através do processo de adensamento e verticalização. O adensamento é uma intensificação do uso e ocupação do solo e é vinculado à infraestrutura e à disponibilidade no meio físico. Assim, quanto mais áreas disponíveis no espaço, maior será a suscetibilidade à ocupação, o que demanda por parte do Estado uma política de zoneamento para que o uso e ocupação do solo se deem da forma mais equilibrada possível.

Nas cidades brasileiras, os principais problemas urbanos se dão no tocante ao aumento e concentração populacional; saneamento básico; ocupação ilegal de espaços impróprios para o assentamento; disposição irregular de resíduos sólidos e efluentes líquidos; escassez de áreas verdes; impermeabilização do solo; formação de voçorocas e erosão do solo.

O crescimento demográfico aliado ao desenvolvimento tecnológico acelera a pressão sobre os sistemas e recursos naturais, e em geral traz como consequência mais impactos ambientais, devido ao aumento na produção industrial e nos padrões de consumo para atender às demandas geradas.

Com isso, aumenta a pressão por serviços de saneamento, que envolve o abastecimento de água, a coleta e tratamento de esgoto e gestão de resíduos. Deficiências nos serviços de saneamento desencadeiam sérios problemas de caráter ambiental e de saúde. Em muitos casos, quando há esgotamento sanitário, não há o seu tratamento, fazendo com que os corpos d'água que passam pelas áreas urbanas sirvam como esgotos a céu aberto ou como locais para disposição de resíduos sólidos. A ausência de abastecimento de água e coleta de esgoto é uma das principais responsáveis pela proliferação de doenças, quer seja pelo consumo de água não tratada, quer seja pelo contato com água contaminada.

O lançamento de esgotos em corpos hídricos desencadeia sérios problemas nos centros urbanos, tendo em vista contribuírem para a contaminação das águas superficiais e subterrâneas, o que, geralmente, inviabiliza o uso para abastecimento público. Em relação aos resíduos sólidos domésticos, a formação de lixões a céu aberto compromete a qualidade do solo, da água, do ar, além de permitirem a proliferação de animais, transmitindo doenças, tendo em vista a ausência de tratamento adequado ao lixo disposto.

A escassez de áreas verdes e a impermeabilização do solo refletem diretamente no aumento da temperatura e na intensificação da ocorrência de enchentes. As áreas verdes contribuem para o equilíbrio da temperatura, aumentando a quantidade de vapor na atmosfera, amenizando a temperatura. As construções e implantação de asfalto contribuem para o aumento da radiação e da absorção de calor, contribuindo para a formação das ilhas de calor. Além disso, devido aos problemas de falta de moradia e disponibilidade de lotes urbanos a preços acessíveis, a população se vê forçada a ocupar áreas impróprias para a ocupação, muitas vezes desmatando as áreas verdes disponíveis.

Além disso, face à importância da cobertura vegetal no processo de estabilização de taludes nas cidades, a sua retirada aliada às movimentações de terras, ocupação de locais com declividades inadequadas e remoção do solo superficial proporcionam a formação de voçorocas e erosão do solo a partir da exposição de terrenos vulneráveis à ação das águas.

Todos esses problemas ambientais desencadeiam consequências danosas à saúde da população e danos aos bens materiais, em função da problemática gerada pelo uso e ocupação inadequados. Somente recentemente as questões ambientais no meio urbano têm sido discutidas, sobretudo para apontar alternativas e soluções para os crescentes problemas vivenciados pela cidade.

O Poder Público figura como agente responsável, muitas vezes pelos efeitos negativos ao meio ambiente, não somente pelas suas ações, mas principalmente por suas omissões. O papel de fiscalizador do cumprimento das normas ambientais, quando não exercido de forma regular, permite a exploração de recursos naturais de forma degradante. Assim, o Estado desempenha papel extremamente relevante na reversão do quadro atual nas cidades brasileiras, principalmente na figura dos órgãos ambientais responsáveis por fiscalizar e licenciar as atividades ambientalmente impactantes.

Diante dos problemas elencados, tem surgido um novo paradigma relacionado ao desenvolvimento sustentável que se apresenta como uma busca de soluções para um impasse no planejamento urbano. Portanto, buscar uma solução para os problemas ambientais se dá através de uma ação conjunta de esforços políticos, institucionais, econômicos e sociais, preocupados com uma nova concepção em desenvolvimento para o ambiente urbano. Somente com a interação dessas forças é possível alcançar mudanças socioambientais significativas.

Assim, é importante que qualquer proposta de gestão urbana e ambiental tenha por escopo o princípio da democracia, assegurando a participação da comunidade na elaboração, execução e avaliação das ações ambientais implementadas nas cidades.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS GLOBAIS E SUAS REPERCUSSÕES SOCIOAMBIENTAIS

Por Ulisses Oliveira

As mudanças climáticas globais têm se manifestado de várias formas, destacando-se o aquecimento global e a ocorrência de fenômenos climáticos extremos. Desde a Revolução Industrial, a temperatura global vem aumentando e a comunidade científica tem afirmado que a intensificação do efeito estufa tem como causa o aumento da concentração de determinados gases na atmosfera, dentre eles o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4).

O efeito estufa é visto como o principal causador do aquecimento global. Trata-se de um fenômeno natural, indispensável à maioria das formas de vida, causado pela presença de determinados gases na atmosfera, que por este motivo são conhecidos como gases de efeito estufa (GEE). Ocorrem naturalmente na atmosfera em concentrações determinadas por fatores naturais. Os principais gases estufa são o vapor de água (H2O), o metano (CH4), o óxido nitroso (N2O) e o dióxido de carbono (CO2). Este último, o mais conhecido, além de ser lançado na atmosfera de forma natural, também é lançado em decorrência das atividades antrópicas, principalmente pela queima de combustíveis fósseis e pela destruição e queimada de florestas, neste último caso, colaborando para o aumento do albedo e exposição do horizonte orgânico do solo à decomposição da matéria orgânica que libera gás carbônico mais facilmente.

A atmosfera possui a capacidade de depurar a maioria dos gases. Entretanto, quando as taxas de emissão superam a capacidade de depuração a dinâmica da atmosfera muda para encontrar um novo equilíbrio.

Nesse contexto, a Revolução Industrial é um marco histórico no processo de aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, representado pelo aumento intenso no consumo de combustíveis fósseis, evidenciando a relação das atividades humanas com o aumento das concentrações desses gases.

As mudanças climáticas podem impactar através do aumento da frequência e da intensidade de enchentes e secas; de perdas na produção agrícola; do surgimento e crescimento de desertos podendo inviabilizar a produção de alimentos, deslocando para as cidades vasto número de pessoas em busca de sobrevivência, agravando os problemas urbanos; de ameaças à biodiversidade; de mudanças no ciclo hidrológico; do aumento de doenças, dentre outros. As regiões semiáridas estão entre as mais vulneráveis a tais mudanças, assim como as populações de menor renda.

A vulnerabilidade das populações face às consequências das mudanças climáticas configura-se o real problema, tendo em vista a fragilidade das populações para lidar com tais consequências.

Dentro dessa perspectiva, buscando solucionar os problemas atinentes ao aquecimento global, várias políticas voltadas para as mudanças climáticas foram adotadas desde Estocolmo (1972). A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (1992) objetivou estabelecer diretrizes e condições para a estabilização dos gases de efeito estufa na atmosfera. O Protocolo de Quioto (1997) visou a diminuição das emissões de dióxido de carbono e outros gases responsáveis pelo efeito estufa. A Conferência de Bali (2007) se manteve na mesma linha do Protocolo de Quioto, propondo a intensificação nas reduções dos gases de efeito estufa. A Conferência de Copenhague (COP-15), em 2009, se manteve na mesma linha de objetivos e metas, porém sem muito êxito prático, dados os conflitos de interesse entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento.

Nessa perspectiva, a questão das mudanças climáticas tem sido revestida de forte carga ideológica, onde alguns defendem as reduções nas emissões alegando ser o homem agente intensificador dos processos de mudanças climáticas, caracterizando-a como antropogênica. Em contrapartida, outros defendem o caráter geogênico destas mudanças, alegando não haver provas suficientes que possam ligar o aumento na utilização de hidrocarbonetos e emissão de dióxido de carbono às mudanças climáticas desfavoráveis em razão das atividades antrópicas.

Enquanto as discussões e os problemas se prolongam, as populações em situação de pobreza sofrem com as consequências das mudanças climáticas. Essas mudanças repercutem de forma diferenciada nos distintos segmentos sociais. A elevada desigualdade social influencia na questão dessas mudanças. As populações em condições de vulnerabilidade socioambiental possuem maior exposição a esses problemas, o que é evidenciado pelas precárias condições de vida e de trabalho, expressos através da pobreza, condições precárias de habitação e acesso limitado aos sistemas produtivos.

Assim, é necessário que se crie a consciência de que o meio ambiente global é único, que o sistema atmosférico é interligado e age diretamente sobre a configuração da superfície. Para combater as mudanças climáticas todos os países precisarão agir no combate ao aquecimento global, cabendo primordialmente aos grandes emissores, os países desenvolvidos, agirem ativamente na busca por um desenvolvimento sustentável. Os efeitos das mudanças no clima ocorrem em todos os países e todos e estão suscetíveis aos seus efeitos adversos e as populações mais pobres terão maior dificuldade em lidar com os problemas.

sábado, 12 de novembro de 2011

Demora na elaboração do projeto atrasa licitação do Parque Rachel de Queiroz

O projeto de criação do parque na área verde do bairro Presidente Kennedy, na zona oeste de Fortaleza (Ceará) foi concluído somente na tarde de quinta-feira (3), pela Secretaria Regional 3 (SER 3) e, mais uma vez, a licitação foi adiada. As informações foram repassadas por Aguinaldo Aguiar, integrante da coordenação do Movimento Pró-Parque Rachel de Queiroz, que visitou a sede do órgão, na manhã de sexta-feira (4). Ele disse que testemunhou o momento em que o setor de infraestrutura entregou o projeto para o departamento jurídico da Regional que terá a tarefa de elaborar o edital de licitação. Segundo uma funcionária, que não quis se identificar, o processo ainda vai durar umas duas semanas até a secretária Olinda Marques dar entrada na Comissão Permanente de Licitação (CPL). A promessa da Regional era iniciar a licitação no dia 21 de outubro, passado, conforme matéria publicada no site do Movimento Pró-Parque Rachel de Queiroz.

Aguinaldo disse que tentou falar com os dirigentes da Regional para saber sobre os novos prazos, por telefone, durante toda a manhã, mas não conseguiu pois a informação que deram é que els estavam em reunião. Aguiar disse temer que, com o atraso, a licitação do projeto não ocorra este ano e prejudique e adie, mais uma vez, o início dos trabalhos.

Projeto foi modificado

O projeto da criação do parque, que integra um dos trechos do Parque Rachel de Queiroz e, de acordo o chefe de gabinete da SER 3, Arnóbio Gomes, o valor da obra será em torno de 3 milhões de reais. Gomes disse que foram feitas várias modificações no projeto para atender a realidade orçamentária do Município e esta seria a principal razão da demora. Ele também disse que a Secretária Olinda Marques, já está conversando com vereadores para garantir emendas ao Orçamento de 2012 e garantir a execução da obra.

Parque vai proteger riacho e área verde

A criação de um parque na área verde é um desejo antigo dos moradores do bairro Presidente Kennedy e região. O local é cortado por um dos últimos riachos que a especulação imobiliária ainda não conseguiu destruir, em Fortaleza. Também é simbólico para a luta ambiental na cidade pois, em outubro de 2007, numa grande manifestação em defesa da área verde, foi criado o Movimento Pró-Parque Rachel de Queiroz. A obra vai preservar o riacho, a área verde e construir espaços e equipamentos de esporte e lazer para a população, como campo de areia, pista de bicicross e pista para caminhada, além da implantação da iluminação e a construção de um grande calçadão ao redor de toda área.

Movimento Pró-Parque Rachel de Queiroz/EcoAgência

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Pense Verde Com Todas as Cores


A base do sistema de produção atual necessita urgentemente de uma nova formulação. A noção de desenvolvimento sustentável tem tomado novas faces, onde o homem está deixando de ser o visto como o centro de todos os problemas e se inserindo no processo ambiental como vítima de uma “crise civilizatória” onde as leis que regem o sistema financeiro falam mais alto, como que num movimento devastador que tolhe a aniquila tanto o que é verde como o que é indivíduo.

Olhando para trás, vejo como a caminhada ambiental até a atualidade veio mudando a cara do meio ambiente, revelando uma crise sem precedentes nas sucessivas revoluções as quais o homem tem passado.

“A velha noção antropomórfica de que todo o universo se centraliza no homem – de que a existência humana é a suprema expressão do processo cósmico – parece galopar alegremente para o balaio das ilusões perdidas”.

Essas ilustres palavras, escritas por Henry L. Mencken, citadas no Livro dos Insultos, revela o futuro drástico fim da nossa civilização caso o homem não enxergue que o processo de desenvolvimento ao qual estamos nos submetendo, na verdade trata-se de um “DES ENVOLVIMENTO”, onde todos procuram ao máximo esquivar-se das responsabilidades sócio-ambientais, visando apenas a acumulação de capital, em detrimento do NOSSO FUTURO COMUM.

Precisamos rever nossas ações. Diminuir o consumo desenfreado, os desmatamentos, as emissões de gases na atmosfera, os lançamentos de resíduos nos corpos hídricos, viver a educação ambiental, dentre outras ações que norteiem nosso comportamento visando o bem-estar de todos, conforme preconiza a principal regra de convivência: o bom senso.

“... a Terra tem o suficiente para todos. Mas somente o suficiente”. (Gandhi).

Vamos juntos criar um meio-ambiente mais justo e sustentável. Pense verde com todas as cores.

[Texto que escrevi para o meu blog em 15/07/2008]

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A Quem Serve o Diário do Nordeste?

O Brasil passa por um momento de crise em se tratando de meios de comunicação. Está claro que a comunicação, constitucionalmente direcionada aos interesses da coletividade, serve a poucos e levianamente é utilizada como forma de denegrir/diminuir a reputação daqueles que de alguma forma trabalham, voluntariamente ou não, contra os seus interesses.

Em muitos casos, usa-se o meio ambiente como forma de agressão e tentativa de destruição de um trabalho. Recentemente, em matéria veiculada pelo Diário do Nordeste, em 07/05/2011, em seu caderno Cidade, página 14, o jornal afirma que 70% dos crimes ambientais estão pendentes no Ceará. Ou seja, segundo o jornal, o órgão estadual do meio ambiente (SEMACE) não está desempenhando seu papel. Ainda na reportagem, o jornal afirma que apenas 30% das denúncias ingressadas no órgão foram devidamente verificadas.

É importante tomar cuidado ao ler esta reportagem, tendo em vista que, aparentemente, a mesma possui caráter tendencioso, já que esta não analisa as fases do processo de apuração das denúncias, muito menos a origem destas. Sabe-se que o procedimento que vai desde a lavratura do auto de infração até sua sentença final pode levar meses, bem como que o processo de fiscalização ambiental é de difícil consecução, além de arriscado. O Decreto Federal 6.514/2008, estabelece os prazos do processo de autuação dentro do órgão, que normalmente, é superior a, pelo menos, 60 dias.

Portanto, há que se apurar o que realmente ocorre dentro do órgão, antes de veicular informação que pode não representar o fato como ele é na realidade.

Para finalizar, algumas perguntas são lançadas ao leitor:

- De quem o Diário do Nordeste é propriedade?
- Seu dono tem interesse em diminuir a credibilidade do serviço da Semace?
- A quem serve o Diário do Nordeste?

Estas são algumas perguntas que precisam ser respondidas antes de o leitor resolver ler as notícias veiculadas pelo referido meio de comunicação.

domingo, 8 de maio de 2011

Educar no Licenciamento

Francamente é bastante difícil para a maioria entender a necessidade de estabelecer e obedecer normas ambientais. Muito mais difícil é entender a função social de tais dispositivos. A lei precisa atender ao interesse público e este deve atender ao disposto na lei.

Ocorre que no Brasil parece-me que as pessoas são treinadas (programadas) para se comportarem em desacordo com muitas regras estabelecidas, que muitas vezes são intuitivas.

O desmatamento, a queimada e extração de areia são atividades que, explicitamente, causam um dado extremanente negativo no meio ambiente. É importante que os órgão ambientais desenvolvam políticas com vistas a sensibilizar as pessoas quanto à necessidade de se consultar o órgão responsável para que este possa dar a devida orientação quando da concessão da licença ambiental.

Para o desmatamento e da queimada, é necessário que seja pedida uma Autorização Ambiental, onde será informado ao órgão a área impactada, bem como os objetivos da atividade. No caso da extração mineral, será necessário o processo convencional de licenciamento, onde há as três fases: Licença Prévia - LP, Licença de Instalação - LI e Licença de Operação - LO. Pode haver também a concessão de Autorização, dependendo da natureza da extração.

Independente dos procedimentos técnicos, nota-se clara a necessidade de uma maior intervenção com Educação Ambiental, para que sejam ensinados princípios e práticas sustentáveis.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010


Despejar óleo na pia definitivamente não é a saída para se desfazer do resíduo. Mas o que fazer com ele, então?

Cerca de 52 milhões de litros de óleo de cozinha de Fortaleza e Região Metropolitana vão parar no esgoto todos os anos. Foi o que constatou pesquisa realizada pelo Grupo de Estudo e Pesquisa em Infraestrutura de Transporte e Logística de Energia (Glen), da Universidade Federal do Ceará (UFC), em parceria com a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). Esse montante corresponde a 93% do total de resíduos de óleo gerado na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

Para minimizar esse impacto, técnicos da Cagece e pesquisadores da UFC estão estudando o aproveitamento do resíduo como matéria prima para biocombustível em escala. A principal candidata é a Usina de Biodiesel de Quixadá, no Sertão Central, a 167 km de Fortaleza.

O óleo jogado hoje no esgoto pode suprir e complementar em mais de 50% a necessidade de insumos da usina, que opera principalmente com óleos obtidos da agricultura familiar. A unidade pode processar até 108 milhões litros de biodiesel por ano, mas falta matéria prima.

De acordo com o estudo, é possível obter até 4,7 milhões de litros de óleo por mês na Região Metropolitana de Fortaleza, 65% destes só em Fortaleza. Se vendido, pode movimentar até R$ 9 milhões por ano.

Os resultados da análise indicam que mais de 46% do óleo é gerado em residências em Fortaleza são jogados no esgoto, contra 18% da área comercial. A maior concentração da geração de óleo por mês em cozinhas industriais provém do Centro, Meireles e Aldeota, gerando, respectivamente, 44.162, 42.975 e 14.483 litros. No setor residencial, destaca-se a alta produção por mês na Granja Lisboa, com 117.624 litros, e Aldeota, 35.047 litros. Os bairros com maior incidência de direcionamento de óleo para o esgoto são Mondubim, Vila Velha, Barra do Ceará e Jangurussu, destinando, respectivamente, 88.730, 38.956, 34.971 e 30.051 litros.

As residências produzem mais óleo que o comércio, necessitando de trabalho de educação ambiental e de políticas de incentivo ao bom direcionamento do resíduo. Para os técnicos da Cagece, uma das formas mais viáveis e eficazes de lidar com o problema é criar bônus em contas de água. O período de descarte deve ser quinzenal, por meio de recipientes como garrafas PET.

Para universalizar o procedimento, a Cagece e a UFC estão estudando esquemas de coleta que envolvam associações de catadores em políticas de parceria e responsabilidade social. A Companhia está sugerindo, inclusive, que as câmaras municipais da RMF aprovem leis que incentivem os cidadãos e empresários a comercializar ou doar.

A pesquisa foi realizada entre janeiro e março deste ano, em Fortaleza, Caucaia e Maracanaú, com 600 empresas e 1.200 pessoas, em pontos de vendas ao adquirir o produto. Segundo o supervisor da área de Pesquisa e Desenvolvimento da Cagece, Silvano Porto, além de aderir às paredes da tubulação, o óleo pode agregar outros materiais, causando entupimento na rede. O problema fica mais visível nas caixas de gordura de condomínios, que precisam ser limpas periodicamente.

Bares e restaurantes

Algumas iniciativas já começam a dar destino mais adequado ao resíduo em Fortaleza. O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes - Seção Ceará (Abrasel-CE), Augusto Mesquita, explica que o Programa Papa Óleo, de coleta de óleos e gorduras residuais (OGR), teve início no segundo semestre do ano passado, contando com a colaboração de 20 empresas de Fortaleza. Hoje já são mais de 60, mas a arrecadação, de cerca de três mil litros mensais, ainda é modesta.

Segundo Mesquita, a empresa Meta Ambiental, responsável pela coleta de resíduos dos estabelecimentos, dá um desconto pelo serviço quando a empresa doa o óleo. O material é armazenado até atingir 18 mil litros, quando segue para Quixadá, no Sertão Central do Ceará, e é entregue à Cooperativa Socioambiental e Reciclagem de Quixadá (Ó-Limpo), que só paga o transporte. A cooperativa, formada por jovens de 18 a 26 anos, vende o óleo à Petrobras Biocombustível.

ALTERNATIVA
Em troca de desconto na energia

Resíduo de óleo de cozinha - junto a outros materiais, como garrafas, papéis, plásticos e latas - também é recebido nos pontos de coleta do Projeto Ecoelce, valendo R$ 0,30 de desconto na conta de energia por litro. Desde o início, o projeto já arrecadou mais de 32 mil litros de óleo, gerando cerca de R$ 7,5 mil reais em bônus na conta de energia.

O óleo deve ser levado até o posto de coleta em uma garrafa PET ou em algum recipiente que não derrame. Caso haja algum resíduo sólido no óleo, deve ser feita uma filtragem para retirá-lo. Com o reaproveitamento, diversas são as possibilidades de reciclagem do óleo de fritura, como: produção de resina para tintas, sabão, detergente, glicerina e biodiesel.

O Ecoelce, que desde janeiro de 2007 beneficia 236 mil clientes cadastrados, já contabilizou em torno de 8.140 toneladas de resíduos e R$ 1 milhão em descontos na conta de energia, o que corresponde a uma economia de aproximadamente 31.000 GWh de energia. Atualmente, 29 postos de coleta do Ecoelce estão em funcionamento, sendo 20 em Fortaleza e Região Metropolitana e nove no Interior do Estado.

É muito fácil aderir à iniciativa de trocar lixo por bônus na conta de energia. O titular da fatura deve solicitar o cartão Ecoelce - que conta com um chip onde ficam registrados os dados do cliente - cadastrando-se nos postos de coleta do programa. Com o cartão em mãos, basta levar o lixo reciclável ao posto de coleta mais próximo e registrar os bônus para sua próxima conta de energia. O cartão corresponde à unidade consumidora para a qual o cliente quer creditar o desconto.

MARISTELA CRISPIM
EDITORA DE REPORTAGEM
Fonte: Jornal Diário do Nordeste